Atualizado em 08/10/2026
Em 10 de fevereiro de 2026, o Decreto 12.712 mudou tudo que o empreendedor sabia sobre vale-refeição.
Até 2025, cada bandeira de vale-refeição cobrava do restaurante a taxa que quisesse e pagava em até 30 dias.
Depois do decreto, ele limita essa cobrança a 3,6% por venda, proíbe mensalidade e taxa extra e obriga a bandeira a pagar a loja em até 15 dias corridos.
A segunda virada vai entrar em vigor 6 de novembro de 2026, quando as bandeiras de VR e VA terão de compartilhar a rede de lojas credenciadas e o cartão do cliente passará a funcionar em qualquer maquininha habilitada para benefício.
Até lá, habilitar vale-refeição na maquininha ainda significa cadastrar o CNPJ em cada bandeira, uma por uma. O passo a passo abaixo já considera as regras novas.
O que o Decreto 12.712 mudou para quem aceita vale-refeição na maquininha
O governo publicou o decreto em 11 de novembro de 2025 e reescreveu as regras do PAT, o programa que dá benefício fiscal às empresas que pagam VR e VA aos funcionários. Para quem recebe o vale no caixa, cinco pontos mexem no bolso e na rotina.
| REGRA | O QUE DIZ | VIGOR |
| Taxa máxima por venda | 3,6% | 10/02/2026 |
| Mensalidade, adesão e taxa extra | Proibidas | 10/02/2026 |
| Prazo para o dinheiro cair | Até 15 dias corridos | 10/02/2026 |
| Abertura das grandes bandeiras a outras empresas | Obrigatória acima de 500 mil trabalhadores | 11/05/2026 |
| Cartão aceito em qualquer maquininha habilitada | Rede credenciada compartilhada | Até 06/11/2026 |
As grandes bandeiras tentaram barrar o decreto na Justiça. Pluxee, Ticket, VR e Alelo conseguiram liminares entre janeiro e fevereiro, e o presidente do TRF-3 derrubou essas decisões em 24 de fevereiro de 2026 (no caso da Alelo, só em parte).
Em julho de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego confirmou que as regras valem para todas as empresas que pagam vale-refeição ou vale-alimentação, mesmo as que não estão inscritas no PAT. A multa para quem descumpre vai de R$ 5 mil a R$ 50 mil, e dobra na reincidência.
O teto de 3,6% muda o custo de aceitar vale. O que muda o passo a passo, porém, é a data de novembro.
Vale-refeição em qualquer maquininha a partir de novembro de 2026: o que muda no cadastro
O artigo 177 do decreto obriga as bandeiras de VR e VA a garantir interoperabilidade plena, “com o objetivo de compartilhar a rede credenciada de estabelecimentos comerciais”. O prazo termina em 6 de novembro de 2026.
Na prática, a loja que estiver credenciada em uma bandeira passa a fazer parte de uma rede que todas usam.
O cliente com cartão Pluxee consegue pagar no restaurante que só tinha contrato com a Alelo, e vice-versa. É isso que a regra prevê, e as empresas ainda estão terminando de ajustar os sistemas para cumprir o prazo.
Duas coisas continuam iguais. A maquininha precisa estar habilitada para benefício, então quem nunca fez credenciamento nenhum segue precisando de pelo menos um. E o vale continua restrito a comida: VR para refeição pronta, VA para mercado, padaria, açougue e hortifrúti.
Quem vende bastante no vale e não quer perder cliente nas próximas semanas deve credenciar as quatro bandeiras principais agora, sem esperar novembro.
Quem está abrindo o negócio pode começar por uma e confirmar com o suporte da maquininha como fica a aceitação depois de 6 de novembro.
Quem pode habilitar VR e VA na maquininha: CNPJ, MEI e ramo de atividade
As bandeiras credenciam só CNPJ, nunca CPF. Quem vende como pessoa física e quer aceitar vale-refeição precisa abrir um MEI ou outro tipo de empresa antes de pedir o cadastro.
MEI pode, desde que a atividade registrada seja de alimentação: restaurante, lanchonete, marmitaria, padaria, mercado, açougue ou hortifrúti. O CNAE é a primeira coisa que a bandeira confere. Uma loja de roupas com CNPJ ativo não consegue credenciamento de VR, mesmo que venda café no balcão.
A conta bancária também entra na análise. Ela precisa ser uma conta corrente no nome do mesmo CNPJ, porque é nela que a bandeira deposita o dinheiro das vendas. Conta pessoal do dono reprova o cadastro.
Se a maquininha que você usa hoje não trabalha com benefício, compare antes as maquininhas que aceitam VR e VA. Sem um terminal compatível, o credenciamento não tem onde ser liberado.
Documentos que Alelo, Ticket, VR e Pluxee pedem para credenciar a loja
A Pluxee publica a lista completa na central de ajuda, e as outras três pedem os mesmos dados no formulário online. Separe tudo antes de começar:
- CNPJ ativo, e em algumas bandeiras o cartão CNPJ em PDF
- CPF do representante legal que aparece no contrato social ou no certificado do MEI
- Banco, agência e conta corrente no nome do CNPJ
- Código de afiliação da maquininha (também chamado de número do estabelecimento)
- Comprovante de endereço do ponto, quando a bandeira pedir
O código de afiliação é o item que mais atrasa o cadastro. Sem ele, a bandeira aprova o CNPJ mas não sabe em qual maquininha liberar o vale. Ele aparece no app da maquininha ou com o suporte, e cada empresa usa um formato diferente.
Passo a passo para habilitar cada bandeira de vale-refeição na maquininha
O caminho é parecido nas quatro: formulário online, envio dos dados, análise e liberação no terminal. Muda o endereço do cadastro e o canal de atendimento.
Como credenciar na Alelo
Entre em alelo.com.br/estabelecimentos/credenciamento, preencha os dados do CNPJ e informe a maquininha que vai usar. A Alelo analisa o pedido e libera o cartão no terminal informado depois da aprovação.
Como credenciar na Ticket
O cadastro fica em credenciamento.ticket.com.br e tem três etapas: cadastro, envio dos dados do estabelecimento e confirmação. A Ticket diz que o processo é 100% digital e leva “poucos dias” depois do envio dos dados, e informa que funciona com a maquininha que a loja já usa.
Como credenciar na VR Benefícios
Acesse estabelecimentos.vr.com.br/cadastro e faça o cadastro com os dados da empresa, a conta bancária e o código da maquininha. Depois da aprovação, os cartões VR Refeição e VR Alimentação passam a valer de acordo com o ramo do CNPJ.
Como credenciar na Pluxee (antiga Sodexo)
O site antigo da Sodexo saiu do ar. O cadastro agora fica em credenciamentopluxee.com.br, e a central atende pelo 3003-5083 nas capitais e regiões metropolitanas ou pelo 0800 728 5083 nas demais cidades, de segunda a sexta, das 8h às 18h.
Outras bandeiras, como UP Brasil e Ben, têm cadastro próprio no site de cada uma. Nenhuma das quatro grandes publica prazo fechado de aprovação. Assim que receber o aceite, faça uma venda de valor baixo com um cartão daquela bandeira para confirmar que a maquininha já reconhece o vale.
Quanto custa aceitar vale-refeição na maquininha com o teto de 3,6%
Desde fevereiro de 2026, a bandeira pode ficar com no máximo 3,6% de cada venda no vale, e nada além disso.
| Vendas no vale por mês | Taxa máxima permitida | Você recebe no mínimo |
|---|---|---|
| R$ 5.000 | R$ 180 | R$ 4.820 |
| R$ 10.000 | R$ 360 | R$ 9.640 |
| R$ 30.000 | R$ 1.080 | R$ 28.920 |
Se o contrato antigo da loja tinha taxa maior que essa, ela deveria ter caído em fevereiro. Confira o extrato de cada bandeira, porque o ajuste nem sempre aparece sem o lojista pedir.
O decreto também veda “outras taxas, tarifas, encargos ou despesas adicionais” nas transações de VR e VA. Mensalidade de manutenção, taxa de adesão e taxa de administração somadas à taxa por venda entram nessa proibição. Achou alguma no extrato? Peça a explicação à bandeira por escrito.
O prazo também ficou menor. O dinheiro precisa cair em até 15 dias corridos depois da venda, quando antes podia levar 30, e para um restaurante que vende R$ 10 mil por mês no vale isso significa ter o dinheiro de duas semanas de vendas disponível bem mais cedo.
Vale-refeição recusado na maquininha: causas comuns e como resolver
A maioria dos problemas depois do credenciamento vem de dado digitado errado no cadastro, e não de defeito na maquininha.
Cadastro aprovado, mas a maquininha não mostra a opção de vale
Confira se o código de afiliação enviado à bandeira é o mesmo do terminal que está no balcão. Quem tem duas maquininhas da mesma empresa costuma informar o código da errada. Se o código estiver certo, o suporte da maquininha consegue forçar a atualização do terminal.
O cliente passa o cartão e a venda é negada
Antes de ligar para a bandeira, confirme três pontos com o cliente: se há saldo, se o cartão é do tipo certo (VA em restaurante e VR em mercado costumam ser recusados) e se a bandeira daquele cartão já foi credenciada na loja. Até 6 de novembro, cartão de bandeira não credenciada continua sendo recusado.
A taxa cobrada passou de 3,6% ou apareceu mensalidade
Registre a reclamação no atendimento da bandeira e guarde o protocolo. Se a cobrança continuar, o caminho é o Ministério do Trabalho e Emprego, que fiscaliza o PAT e aplica as multas previstas no decreto.
Credenciamento negado
Os motivos mais comuns são CNAE fora do ramo de alimentação, CNPJ com pendência na Receita, conta bancária em outro CNPJ e endereço do comprovante diferente do que consta no cartão CNPJ. Corrija o ponto que falhou e envie um novo pedido. A bandeira não cobra pela nova análise.
Perguntas frequentes sobre habilitar vale-refeição na maquininha
MEI pode aceitar vale-refeição na maquininha?
Pode, desde que o CNAE do MEI seja de alimentação, como lanchonete, marmitaria, padaria ou mercado. O cadastro é igual ao de qualquer outro CNPJ e exige conta bancária no nome do MEI.
Dá para aceitar vale-refeição vendendo no CPF?
Não. Alelo, Ticket, VR e Pluxee credenciam só CNPJ. Quem vende no CPF precisa abrir um MEI com atividade de alimentação antes de pedir o credenciamento.
Quanto custa habilitar vale-refeição na maquininha?
O cadastro nas bandeiras não tem custo. Desde 10 de fevereiro de 2026, a única cobrança permitida é a taxa por venda, limitada a 3,6%, e mensalidade, adesão ou taxa extra são proibidas pelo Decreto 12.712.
Em quantos dias o dinheiro do vale cai na conta?
Em até 15 dias corridos depois da venda. O prazo vale desde fevereiro de 2026 para todas as bandeiras de VR e VA. Antes do decreto, o pagamento podia levar até 30 dias.
Depois de novembro de 2026 ainda preciso me cadastrar em cada bandeira?
O decreto manda as bandeiras compartilharem a rede credenciada até 6 de novembro de 2026. Com isso, a loja credenciada em uma bandeira passa a aceitar os cartões das outras. Até essa data, cada bandeira exige o próprio cadastro.
Restaurante pode aceitar vale-alimentação?
O VA é para compra de alimentos em mercado, padaria, açougue e hortifrúti, e o VR é para refeição pronta. A bandeira libera o tipo de cartão de acordo com o CNAE do estabelecimento, então um restaurante normalmente recebe VR e um mercado recebe VA.

Gabriella Fernandes
Redatora de Conteúdo no Maquininha Certa e Especialista em Finanças Empresariais. Com experiência em Comunicação e Marketing, seu foco é simplificar o universo dos meios de pagamento, transformando informações complexas em artigos práticos para auxiliar pequenas e médias empresas.